O Milagre Que Não Pediu Permissão ao Palco
Uma leitura moral de Fé Demais Não Cheira Bem (1992) Há um momento em Fé Demais Não Cheira Bem que desorganiza tudo. Não o espetáculo, não a retórica, não o roteiro do falso sagrado. O que desorganiza o filme e talvez o espectador é um milagre que acontece fora do controle do homem que finge comandar Deus. Até ali, tudo funciona como deve funcionar num show religioso bem ensaiado. O pastor Jonas Nightengale, vivido com precisão desconfortável por Steve Martin, domina o palco, a música, a emoção e o tempo das lágrimas. A fé virou método. O milagre virou estratégia. A esperança virou produto parcelado em prestações de “em breve”. Mas então acontece algo que não estava no plano. Sinopse (com o foco no abismo) Jonas é um evangelista itinerante que percorre cidades pequenas com sua trupe: uma cúmplice, um fotógrafo, músicos e figurantes de fé. Nada é improvisado. Os milagres são encenados. As curas são combinadas. O povo acredita porque precisa acreditar. Em uma dessas cidades, um g...