Os Missionários da Alegria e o Pecado da Tristeza
Há muitos anos que desconfio dos otimistas. Conheci vários: todos falsos, todos perigosos. O otimista, quando não é um canalha, é um ingênuo e ambas as espécies são igualmente nocivas. Pois bem: outro dia me apresentaram uma série, dessas de internet, chamada Smiling Friends. O título já me rendeu um arrepio: amigos sorridentes. Ora, meus amigos, não há nada mais obsceno do que um sorriso imposto. Mas como vivo num tempo em que a mentira virou virtude e a tristeza, pecado, decidi assistir. Logo descobri que os tais Smiling Friends são funcionários de uma empresa cujo trabalho vejam o absurdo consiste em fazer pessoas sorrirem. Eu, que nunca consegui fazer sorrir sequer os meus mortos, encarei aquilo como uma provocação pessoal. Ali estão Pim e Charlie, dois funcionários que dariam excelentes personagens da minha galeria: o primeiro é um otimista militante, desses que acreditam que um abraço pode salvar um suicida; o segundo é um derrotado profissional, um pessimista nato, u...